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8 de fevereiro de 2012

Multilação genital nas meninas: Nosso objetivo é parar com essa prática

    Organização Mundial da Saúde e Anistia Internacional lançam nova campanha contra práticas que, para impor limites às mulheres, inibem seu prazer — além de provocarem mortes e traumas
    Por Marina Terra, no Opera Mundi
    Para marcar o Dia Internacional de Tolerância Zero à Mutilação Genital Feminina, a Anistia Internacional (AI) lançou um dado assustador: a cada quatro minutos, uma menina tem o clitóris e, em alguns casos, os lábios vaginais, retirados como parte de ritual religioso ou pressão social. De acordo com a ONG, a mutilação ainda acontece em 28 países.
    A Anistia Internacional calcula que 135 milhões de mulheres foram mutiladas até hoje e a cifra aumenta em dois milhões a cada ano, conforme seus informes. A OMS (Organização Mundial de Saúde), por sua vez, fala em três milhões de mutilações anuais.
     A mutilação genital feminina compreende todas as intervenções que envolvam a remoção parcial ou total dos órgãos genitais femininos externos ou que provoquem sequelas nos órgãos genitais femininos, por motivos não relacionados com a saúde, segundo a AI.
    “Vários estudos destacam o risco de complicações psicológicas a longo prazo, incluindo depressão, estresse pós-traumático, desordens mentais e ansiedade semelhantes aos sofridos pelas as meninas que foram abusadas sexualmente”, afirmou à Agência Efe a médica Elise Johansen, do departamento de Saúde Reprodutiva da OMS.
     A médica acrescentou que inclusive as meninas que nunca tiveram uma destas complicações sofreram com dor e com uma violência que obriga a ficarem quietas durante o procedimento da amputação, o que representa um trauma.      
   “Mas sobretudo, elas estarão privadas por toda a vida do órgão mais sensível do corpo, o clitóris”, disse Johansen.
     Tipos de mutilação:
     Segundo a OMS, a forma mais comum deste tipo de mutilação é a cisão do clitóris e dos lábios menores (em 80% dos casos), enquanto a mais severa (15%) é a infibulação, que consiste na extirpação do clitóris, dos lábios menores e parte dos maiores, seguida do fechamento vaginal mediante sutura.
    Num longo prazo, a mutilação pode dar origem a infertilidade, infecções crônicas, relações sexuais dolorosas, complicações durante a gravidez e o parto, tanto para as mulheres quanto para os recém-nascidos. ”Foi comprovado que a mutilação genital aumenta a prevalência de determinados problemas sexuais, incluindo a dor, diminuição do desejo e diminuição do prazer”, disse a médica.      Johansen explicou que, segundo estudos não publicados, 21% das mulheres que padeceram dos tipos 1 e 2 da mutilação genital — que consistem na retirada do clitóris e dos lábios, mas não da sutura da vagina — têm hemorragias depois do parto, e pelo menos 15% delas têm que ser internadas em hospitais.
    “Além disso, se houve uma mutilação genital, o risco de que a criança nasça com problemas ou morra aumenta consideravelmente. A estimativa é de que entre 1 e 2 crianças em cada 100 morram porque sua mãe foi mutilada na infância”. De acordo com Johansen, a maior parte destas mutilações é praticada quando as meninas têm entre quatro e 12 anos de idade. “Em alguns países, fazem mais cedo para que as meninas não se lembrem da dor, mas outros países fazem mais tarde porque consideram que as meninas estão mais maduras para assumir a dor”, disse.
    “Os que operam tarde também fazem como parte de um ritual no qual a dor é parte do objetivo para preparar as meninas para o resto de suas vidas e inscrever em sua memória corporal os riscos e os perigos associados à sexualidade, e portanto esperam que resistam melhor as tentações sexuais”, acrescentou.

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