Moradora do distrito de Juá, Célia era conhecida pelo carinho com que tratava as pessoas. Ela morreu nas primeiras horas desta quinta-feira (17), após ser encontrada desacordada e com graves ferimentos em Quixadá.
A morte de Célia, carinhosamente conhecida como “Celhinha” pelos moradores do distrito de Juá, em Quixadá, deixou a comunidade profundamente consternada. Conhecida por seu jeito carismático e afetuoso, Célia construiu ao longo dos anos uma relação de carinho com moradores da localidade, mesmo vivendo em situação de vulnerabilidade.
Célia morou durante alguns anos no distrito de Juá junto com seus pais e irmãos. Há aproximadamente quatro anos, seus familiares deixaram a comunidade e foram morar em Quixeramobim. Célia, entretanto, decidiu permanecer no Juá, onde continuou sendo presença conhecida entre os moradores, segundo informações ela tinha dois filhos já maiores de idade.
Segundo relatos de pessoas da comunidade, ela costumava tratar todos com respeito e carinho, utilizando expressões afetuosas como “meu amor” ao se dirigir às pessoas. Mesmo enfrentando dificuldades e, muitas vezes, dormindo em calçadas e alpendres, moradores relatam que Célia era frequentemente vista com um sorriso no rosto.
Ida a Quixadá terminou em tragédia
De acordo com relatos obtidos junto à comunidade, Célia não costumava ir com frequência à sede do município. No dia do ocorrido, porém, ela teria ido a Quixadá acompanhada de um aposentado com quem mantinha uma relação de amizade.
Ainda segundo esses relatos, o homem teria informado que, no momento de retornar ao distrito de Juá, Célia decidiu permanecer em Quixadá, afirmando que voltaria posteriormente.
Foi depois disso que Célia teria sido encontrada desacordada em um bairro de Quixadá, ainda não informado, apresentando diversas lesões pelo corpo.
Vítima apresentava ferimentos graves
Célia foi encaminhada para a Unidade de Pronto Atendimento (UPA) de Quixadá, onde deu entrada por volta da meia-noite, entre a noite de quarta-feira (16) e a madrugada de quinta-feira (17).
Segundo as informações repassadas à reportagem, ela apresentava graves lesões pelo corpo, incluindo fraturas nas duas pernas, além de outros ferimentos.
A equipe de saúde realizou os procedimentos necessários na tentativa de salvar a paciente. Apesar dos esforços, entretanto, Célia não resistiu à gravidade dos ferimentos e morreu nas primeiras horas da quinta-feira (17).
As circunstâncias que provocaram as lesões ainda precisam ser esclarecidas pelas autoridades. Até o momento, não há confirmação oficial sobre a dinâmica do ocorrido ou sobre eventual autoria de uma agressão.
Uma vida marcada pela vulnerabilidade, mas também pelo carinho da comunidade
Pessoas que conviviam com Célia relatam que ela fazia uso frequente de bebidas alcoólicas. Também existem relatos e dúvidas sobre um possível uso de outras substâncias, mas não há, até o momento, informação confirmada que permita afirmar que ela fazia uso de entorpecentes.
Moradores também destacam que Célia não tinha o hábito de pedir dinheiro constantemente e que, segundo pessoas que a conheciam, não havia relatos de que ela costumasse mexer ou retirar objetos pertencentes a outras pessoas.
Sua rotina era marcada pela simplicidade e pela vulnerabilidade. Muitas vezes, dormia em calçadas, alpendres e outros locais onde conseguia permanecer. Ainda assim, segundo pessoas da comunidade, mantinha seu jeito alegre e o carinho no tratamento com aqueles que encontrava.
Para muitos moradores do Juá, Célia não era apenas uma pessoa em situação de rua. Era uma figura conhecida da comunidade, alguém que, apesar das dificuldades enfrentadas, conquistou o afeto de muitas pessoas.
Comunidade se mobiliza após a morte
A comoção provocada pela morte de Célia foi grande entre os moradores do distrito de Juá.
Diante da notícia, pessoas da comunidade chegaram a se mobilizar para fretar uma topic com destino a Quixeramobim, município onde vivem familiares de Célia, para acompanhar os acontecimentos e prestar solidariedade à família.
A distância entre Juá e Quixeramobim é de aproximadamente 76 quilômetros, mas, mesmo diante do deslocamento, moradores demonstraram disposição para acompanhar de perto o momento de despedida.
Sepultamento ainda era indefinido
Até o momento da elaboração desta matéria, o local do sepultamento ainda estava sendo definido pela família, diante da necessidade de encontrar um local adequado.
Entre as possibilidades cogitadas estavam os distritos de Juatama e Califórnia, ambos pertencentes ao município de Quixadá.
Enquanto aguardavam a definição, moradores do Juá lamentavam a perda de alguém que, apesar de sua trajetória marcada por dificuldades, deixou lembranças de carinho, simplicidade e afeto entre aqueles que conviveram com ela.
A morte de Célia deixa não apenas uma família enlutada, mas também uma comunidade que aprendeu a reconhecer, por trás da situação de vulnerabilidade, uma mulher de sorriso fácil e palavras carinhosas.
O caso deverá ser esclarecido pelas autoridades responsáveis pela investigação. Novas informações poderão ser acrescentadas à reportagem à medida que os fatos forem oficialmente confirmados.
